terça-feira, 27 de outubro de 2015

Alguns aspectos da trama energética internacional

A Gazprom, maior distribuidora russa de gás natural, retomou a 12 de Outubro o fornecimento de gás à Ucrânia. Hoje, soube-se que pretende reduzir os preços das suas exportações de gás natural em razão de um decréscimo dos lucros no mercado europeu. Entretanto, os governos da Polónia e dos Estados Bálticos assinaram a 15 de Outubro um acordo de construção do primeiro gasoduto a ligar o Báltico à Europa ocidental, a fim de integrar aqueles países no mercado de gás da União Europeia, pretendendo evitar assim o seu isolamento energético. Quase todo o petróleo e gás natural dos Estados Bálticos são fornecidos pela Rússia.

Por seu lado, a Rosneft, maior companhia petrolífera russa, compete agora na Europa de Leste com a Arábia Saudita, que começou recentemente a vender petróleo à Polónia a preço de saldo. Decerto não alheia a tudo isto, desde o início de Outubro que a Lukoil – outro dos gigantes petrolíferos russos, pertencente, tal como a Rosneft, ao Estado – anunciou que tenciona voltar a explorar o campo petrolífero e de gás natural de Azar, no Irão.

Factos como estes sugerem pelo menos duas conclusões. A primeira é que a nova posição da Rússia na ordem internacional, principalmente desde os recentes episódios na Crimeia, tem gerado alguns efeitos negativos importantes para a sua economia, em virtude da tentativa dos países europeus limítrofes de minorar a sua dependência energética da Rússia, obrigando-a a procurar novos mercados onde venda os seus combustíveis, sobretudo na Ásia, alargando o distanciamento dos países da União Europeia.

A segunda conclusão é que a Síria, na qual as forças armadas russas têm intervindo militarmente, contra o parecer dos sauditas, é um território de charneira na disputa entre a Arábia Saudita e a Rússia pelos seus mercados energéticos. É pela Síria que passarão para a Europa condutas com petróleo que, forçosamente, ou será saudita ou será iraniano.

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