sexta-feira, 10 de abril de 2015

No coração do marxismo está a precedência da práxis sobre o conhecimento do real





A décima primeira tese de Marx a Feuerbach, que declara que «os filósofos não fizeram mais do que interpretar o mundo de maneira diferente; trata-se porém de modificá-lo», não é só uma chamada à acção, é a mais célebre formulação da doutrina que é o coração do marxismo. Esta doutrina é a da precedência do conhecimento prático sobre o conhecimento especulativo.

Por conhecimento prático entendemos o conhecimento de como produzir alguma coisa, digamos, uma cadeira ou uma obra moralmente boa. Opõe-se ao conhecimento especulativo que é o conhecimento das coisas tais como são, digamos, da árvore ou do homem.

No pensamento marxiano, a verdade, ou a realidade - uma vez que a verdade é relação inteligível com a realidade - não pode ser conhecida antes de ser criada ou transformada pela acção do homem. É a práxis que determina a natureza da coisa. A vontade humana, que impera os actos do homem, torna-se a medida do mundo, a criadora da natureza.

Não é de admirar, dados estes pressupostos, que Marx conclua que o indivíduo humano não tem uma essência, mas a sua natureza é determinada extrinsecamente pelo conjunto das relações sociais.

Esta doutrina marxiana é o princípio e fundamento de todo o pensamento revolucionário. O revolucionário não aceita permanecer no estado de humildade de quem é medido pelas coisas, mas procura antes converter-se a si mesmo na medida de todas as coisas.

À medida que avança o conhecimento prático do homem sobre a natureza, e usando meios tecnológicos pelos quais se pode modificar cada vez mais profundamente o mundo, a mentalidade revolucionária criará um universo à sua imagem e semelhança.

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