quinta-feira, 31 de julho de 2014

Os rodriguinhos de Rodrigues


Não conhecia da existência de Elisabete Rodrigues, socióloga, até ter lido em um dos suplementos do jornal Público um artigo da sua autoria com o título Homossexualidade é antinatura. Pelo lido - seis parágrafos! - a melhor conclusão que se pode tirar é que Rodrigues gosta de rodriguinhos.

Desconsiderando o costume de bom gosto literário de não entrar o autor no texto fazendo o elogio próprio, Elisabete começa por declarar que é uma rapariga destemida - e, talvez um pouco surpreendentemente, eu concordo com ela. A prova do seu destemor é dada no própria crónica que escreve: Elisabete Rodrigues, nossa contemporânea, nossa compatriota, solucionou de uma penada só o gravíssimo problema da natureza que tem ocupado durante dois mil e quinhentos anos filósofos menores. Como que por desfaçatez, porque estes filosofastros obscureceram a questão em centenas de páginas dos seus bolorentos tratados, Elisabete Rodrigues encerrou a polémica em escrito confinado por um exíguo limite de caracteres, e, porque a verdade não faz acepção entre jornais e pasquins, fê-lo em uma sofisticada coluna de um suplemento do jornal Público.

A saída do labirinto de Dédalo encontrou-a Elisabete Rodrigues no aforismo de trazer por casa de Sócrates - que concorre com o cogito cartesiano para adágio não compreendido mas mais frequentemente citado pelo vulgo em questões de índole filosófica - "só sei que nada sei". Elisabete Rodrigues resolve a questão sentenciando que nada sabe sobre a natureza. Mais uma vez, neste ponto em particular - e espante-se o leitor! - concordo com ela. Elisabete Rodrigues não sabe o que é a natureza ou não seria capaz de produzir este raciocínio manifestamente concludente:
A Tocha [a cadela da autora] gosta de cheirar e, por que não ser completamente honesta, mordiscar cocó alheio. E os homens e as mulheres não podem amar alguém do seu sexo?
Como hesitar diante de uma tal evidência?

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